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Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

s 04:45

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento, Aline Miranda conta sua história:

"... Juju minha filha, por favor fica quietinha! Vamos ver ali na tela do ultrassom seus irmãozinhos! - e o médico diz: Como você sabe que são dois? - E eu repondo: Não, eu não sei, apenas sonhei algumas vezes que estava gestando mais de um bebezinho! - Então ele responde: Você errou! - Eu digo: Tudo bem, foi só um sonho bobo mesmo... e meu bebezinho, como está, o coraçãozinho já bate? - Ele me diz: Olha, você errou o sonho viu, sabe porquê? Vejo aqui, não somente um, mas sim a perfeição de TRÊS vidas sendo geradas dentro de você!"

Assim inicio a doce e abençoada história da minha gestação trigemelar, natural e sem tratamento. Sim, resolvemos dar um irmãozinho para Juju e Deus, em sua infinita bondade, achou por bem nos abençoar com três vidas de uma única vez. Ser contemplada com essa graça foi o suficiente para mudar positivamente meu mundo, meus princípios e meus valores em relação à vida e a família. Ter sido escolhida por três anjos de luz para chegarem ao mundo foi tão sublime que me faz ter a certeza que o Pai Celeste deposita em mim uma fé e uma responsabilidade que eu mesma desconhecia ser capaz de ter.


Minha primeira gestação apesar dos 115kg foi tranquila. Tirando o excesso de peso que gerava pressão alta por algumas vezes, transcorreu tudo bem. Juliana nasceu dia 20/01/2010 com 3.505kg, 51cm e muito saudável. Apesar da obesidade mórbida, minha filha não foi afetada em absolutamente nada. No período da amamentação, emagreci e consegui chegar aos 90kg. Mesmo assim eu continuava obesa para 1 metro e 62cm de altura. Por não conseguir sentar ao chão para brincar com minha filha, muito menos correr, brincar de pique esconde ou coisas que eu precisasse usar meu corpo, resolvi realizar a cirurgia de redução de estômago (bariátrica) aos 110kg.

Em setembro de 2011 operei e sem nenhum problema me recuperei muito bem emagrecendo o que era necessário mediante a técnica utilizada (Fobi Capela). Ocorre que em dezembro de 2012, com 1 ano e 3 meses de redução e já com 67kg, me deparei grávida. Sim! Programamos dar um irmão (ã) para Juju, mas não imaginávamos que seria tão rápido, visto que parei de tomar a pílula em novembro de 2012 e em dezembro minha menstruação já havia atrasado, nos dando um belo de um resultado POSITIVO, dia 11/01/2013. Entretanto, descobrir a gravidez não foi a surpresa maior, mas sim o primeiro ultrassom que nos revelaria a tripla gestação. Medo eu não tive quando soube da notícia, mas susto, confesso que levei. Afinal de contas sou professora e meu salário não é alto e nem o do meu esposo. Esse, que ao receber a notícia ficou extasiado, em choque e paralisado, pois é Fiscal de Obras e também não possui uma renda substanciosa. Acredito que para ele digerir essa notícia levou-se uns três dias.

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

O período gestacional ocorreu tranquilamente. Confesso que "tranquilo" até demais rs. Ao sabermos da tripla gestação, meu obstetra encaminhou-me ao INSS, onde pela perita médica fui afastada do trabalho durante os meses que viriam. A ordem era repousar, descansar, tomar as vitaminas para gravidez e da redução de estômago, alimentar-me saudavelmente (frutas, verduras e legumes) e não carregar peso. Foram pontos fundamentais para que levássemos a gestação trigemelar acima das 30 semanas. 

Confesso não ter sido fácil, pois do ponto de vista orgânico eu estava ótima. Pressão ótima, nenhum sangramento, sem febre, o colo do útero estava fechadinho durante todo pré-natal, nenhuma suspeita de diabetes e movimentação fetal constante dentro da suíte triplex, rs. Porém o ponto de vista psicológico, foi um tanto quanto avassalador. Tive que "administrar" várias questões em minha vida, como por exemplo, minha filhinha de 3 aninhos não podendo pegá-la no colo e nem saindo para brincar de pique pega, de bola, de casinha etc. Meu marido por não podermos nos relacionar sexualmente a pedido médico. A família temendo até mesmo um óbito meu e dos bebês e a mim mesma por levar uma vida a 220volts e ter que desacelerar completamente para trazer perfeitamente ao mundo três vidas que em mim eram geradas. 

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

Durante toda gestação, engordei 18kg. Segui a risca todas as orientações médicas, em especial o repouso, apesar de por vezes ser bem ativa saindo para passear, dirigindo, arrumando a casa, fazendo comida, lavando roupa e cuidando de uma criança de 3 aninhos. Eu precisava sim repousar, mas necessitada continuar fazendo minhas atividades diárias, visto que meu marido e filha dependiam, quer dizer, dependem de mim e não tenho e nem nunca tive secretária do lar, ou seja, eu mesma quem deveria dar conta de todos os afazeres domésticos, inclusive por não morar próximo a minha mãe. 

O pré-natal era feito quinzenalmente e o ultrassom a cada 20 dias. Não me enquadrei em gestação de alto risco, mas sim, naquela que necessitaria de cuidados mais especiais devido à cirurgia bariátrica, e disso eu gostei, pois afinal de contas eu não estava doente, apenas em "estado pleno e de graças recebidas" onde eu sentia necessidade de ter um tratamento mais respeitoso e humanizado dada a emoção da situação. O fato de ter ficado afastada do trabalho contribuiu bastante para a gestação seguir positivamente já que não tinha aquela rotina estressante da labuta empregatícia diária. 

Pelo fato de morar no sexto andar de um prédio sem elevador, e procurar uma casa sem escadas e um pouco mais espaçosa para morar de aluguel seria inviável devido o custo mensal alto, meus pais, com todo coração que só quem é pai e mãe entende construíram (mesmo sem reserva financeira) um quarto a mais na casa deles, para que eu e minha "Big Family" pudéssemos ficar. E assim foi feito, ficamos em nosso "apartamento", até domingo 28/07/2013 sendo na segunda 20/07/2013 teríamos pré-natal as 19 horas, não sabendo eu que terça 30/07/2013 pela manhã, meu "Trio Ternura" chegaria ao mundo. 

Nessa, que foi minha última consulta pré-natal, deixamos a cesárea agendada para o dia seguinte. Não por conveniência médica, mas sim, pelo fato de acreditarmos que aquele seria o melhor momento dado os diagnósticos dos últimos ultrassons. Apesar dos bebês estarem ótimos intra útero, eu já estava exaurida de cansaço mental e físico. Nunca precisei tomar remédio para "segurar' os bebês e também não foi necessário eu internar, porém estava muito cansada fisicamente, devido ao peso da barriga, dificuldade de locomoção, tomar banho, não poder dar a devida atenção para Juju, não dormir, dificuldade para respirar, inchaço nos pés e pernas, dentre vários outros fatores de uma gestação findando-se. Por isso, ao relatar essas questões ao obstetra, resolvemos conhecer os "Três Mosqueteiros" no dia seguinte após avaliarmos juntos e meticulosamente os riscos e a segurança deles sobreviverem fora do útero.

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

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E dessa forma chegaram ao mundo. Ambiente ao som de "Enya" e com as luzes dentro do bloco cirúrgico na penumbra para um maior conforto e relaxamento a mamãe e aos bebês. Nasceram, as 08:13hs o primeiro gemelar, univitelino, Davi com 1.800kg e 41 cm. As 08:15hs o segundo gemelar, univitelino, Daniel com 1.500kg e 40cm e o terceiro gemelar, fraterno, Danilo as 08:17hs com 1.700kg e 41cm. 

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

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O trio Ternura, meus três mosqueteiros, meus três pequenos, meus fortes guerreiros necessitaram de UTI por apenas nove longos dias. Foram entubados por 24hs, banho de luz por apenas 4 dias cada, oxigenação artificial por apenas 5 dias e no sétimo dia estavam todos sugando vorazmente o leitinho que a mamãe tirava do peito para eles. Não tiveram nenhum tipo de infecção ou intercorrência, ganho de peso regular diariamente e batimentos cardíacos e pulmão funcionando a todo vapor, pois bastava eu despedir deles pela incubadora que parceia que pressentiam minha ausência e choravam sem parar. 

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Davi
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Daniel
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Danilo
Creio cegamente no poder de Deus agindo sobre a vida deles pelo fato de tudo ter dado tão certo. Na UTI e berçário praticamente mãe e pai canguru, pegávamos os bebês no colo, os amamentávamos (eu com o seio e Jr. com a sonda) e distribuíamos a maior quantidade possível de calor humano para que de lá eles pudessem sair o quanto antes, afinal de contas, filho com saúde é fora da UTI. Com nove dias de UTI eles tiveram alta e foram para o berçário onde Davi e Danilo ficaram por mais oito dias e Daniel por mais cinco dias. Ou seja, eles receberam alta do hospital em dias diferentes. Da mesma forma que eu emocionei vendo-os sair da UTI com apenas 9 dias de nascidos, eu também me extasiei em ter no doce aconchego do lar os três juntos com apenas 21 dias de vida. 

Quando levei para casa apenas dois (Davi e Danilo) e deixei Daniel no hospital, meu coração não esmoreceu e minha fé aumentou sabendo eu que aquele que ficava era apenas para fortalecer e que ele também me teria nos dias que estivesse longe dos irmãos. Nessa época tive que me dividir em várias. Foi bem difícil, mas nada que com bom humor não resolvesse. Precisei primeiramente me controlar emocionalmente por dar a luz a três bebezinhos e sair do hospital sozinha, sem nenhum neném, vendo outras mamães carregando para casa suas crias e as minhas ficando no hospital (durante toda gestação me preparei psicologicamente para deixá-los, mas praticar é muito diferente de teorizar), dar muito mais atenção para Juju que requeria mais carinho de mãe, cuidar dos dois recém-nascidos que já estavam em casa dando peito, colo, aconchego e me desdobrando madrugada a fora e também ser presente de corpo e alma para meu pequeno grande guerreiro Daniel no hospital, visto que a saída dele de lá dependia dele se sentir seguro com minha presença e seu bem-estar influir diretamente em sua rápida recuperação e ganho de peso. 


Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

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Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

Com a chegada dos três bebês em casa, pude me redescobri como mãe, bem como a capacidade em ser "multi" em tudo que faço. Ser mãe polvo e cuidar de um "quarteto fantástico", requer pura rotina, muita disciplina, extrema organização, bastante dinamismo e bom humor de sobra para que a coisa flua de forma leve e prazerosa. Diz um ditado: "O fardo não pesa o dono". Garanto que é a mais pura verdade. Sim, eu me canso, pois sou humana, mas nada que um triplo sorriso às 3 horas da madrugada, bem como um "eu te amo tanto mamãe" não me faça recarregar todas as energias e buscar fôlego para seguir na missão de maternar essa tropinha. Acredito que educação se dá exemplo e por isso não busco minha maternagem ser uma super mãe, mas sim, ser uma mãe super exemplar dentro das minhas limitações e possibilidades em se fazer presente para meus quatro filhos, bem como para o maridão. 

Os trigêmeos foram amamentados até 3 meses e meio e depois receberam leite materno de ordenha, sendo que com o tempo um tanto quanto escasso. Passei a alimentá-los exclusivamente com mamadeira que diga-se de passagem são 24 horas por dia de 150ml e aproximadamente 25 a 30 trocas de fraldas. 

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

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Iniciamos no mês passado a papinha e suquinho de frutas, o que alivia um pouco a parte financeira, pois com a introdução de novos alimentos diminui um pouco a quantidade de leite ingerido. Até pouco tempo eles compartilhavam o mesmo berço, mas à medida que crescem e que fomos ganhando outros berços, os colocamos cada um em seu espaço. Estão todos com 5 meses e acima dos 60kg. Tivemos várias fases críticas com cólicas nos três, Davi perdendo fôlego, Danilo caindo do berço, Daniel engasgando por ser o menorzinho e Juju com muito ciúme dos trigêmeos, mas nada que o amor não possa superar e nos fazer seguir em frente, com força e fé. Estamos em uma fase bem gostosa, onde o trio está com um pouco mais de resistência física e com isso temos mais liberdade para passear, onde sempre é uma festa. Juju curte muito e eu amo ver a felicidade dela cuidando dos "trirmãozinhos". 

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

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É impossível fazer esse relato sem agradecer a Deus pelas pessoas que Ele colocou em minha vida que na verdade tem sido verdadeiros anjos de luz que estão junto comigo no dia a dia. Tive também ao longo da gestação, bem como depois que o Trio nasceu, aquelas pessoas "reais e virtuais" que de bom coração estão sendo solidárias ajudando com doações de leite, fraldas, pomadas, lenço umedecido, roupinhas, remédios, carrinhos, berço, etc. Para os "tribebês" e também para Juju, inclusive com donativo financeiro. Sou muito grata a Deus por Ele colocar em meu caminho gente que gosta de gente com coração do tamanho do mundo!

Grávida de trigêmeos naturalmente e sem tratamento

Assim finalizo parte da minha história que ainda está em rascunho e com o dia a dia vou fazendo dela o livro da minha vida. Com o coração transbordando de felicidade, digo e repito que o amor de mãe jamais se dividi, e sim, multiplica. Ter sido delegada a tarefa divina de ter quatro filhos, quatro anjos, representa para mim, Deus em sua forma mais singular, pura e sublime agindo em minha vida. Hoje só tenho a agradecê-lo por me confiar um Quarteto verdadeiramente Fantástico e que me mostrou meu mundo para melhor, colocando cor, vida e sentido em existir!

Aline, seja sempre bem-vinda ao Gemelares.com.br!

   
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