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Mãe de gêmeos da semana: Juliana Camargo

s 08:49


"No final de 2008, nós completamos 4 anos de casados (na verdade, ajuntados, amigados, ou qualquer que seja o nome) e numa conversa sobre o futuro ano, entrou em pauta o assunto filhos. Eu queria, mas meu marido achava cedo ainda, queria esperar mais uns 4 ou 5 anos. Conversa vai, conversa vem, entramos num acordo, no ano seguinte eu faria algum curso de minha escolha, e daí então, no final do ano, começaríamos a nos preparar para essa nova fase. Nos nossos, e principalmente, meus planos, eu faria o tal curso o ano de 2009 todo, e em novembro engravidaria (elas nasceram em novembro). Eu tomava anticoncepcional havia alguns anos, e esse era o único método contraceptivo que fazíamos.

Passou Natal, ano novo e logo na primeira semana eu fui procurar e me matricular num curso de cabeleireira. Nessa época, eu já trabalhava com meu marido no nosso próprio negócio, uma prestadora de serviço, e as coisas iam bem, até que final de Janeiro fomos chamados para uma reunião com o principal cliente, e tivemos nosso contrato cancelado, tudo por causa da grande crise nos EUA. Não preciso nem falar que nossa renda caiu completamente, o que ganhávamos mal dava para pagar o aluguel.

No final de fevereiro parei de tomar a pílula e esperei os dias para voltar a tomar, mas minha menstruação não veio, comecei a apavorar pois ela não atrasava. No domingo, ultimo dia, eu cheguei a sentir uma cólica e nada. Como a crise já estava apertando, eu tinha os últimos R$ 10,00 no bolso, na segunda eu inventei uma desculpa pro meu marido e sai para comprar o teste na farmácia, exatamente o valor que eu tinha. No dia seguinte acordei antes das 6 da manhã e fui fazer o teste, não acreditava no que estava vendo, era uma alegria enorme, mas ao mesmo tempo um desespero tão grande. Não estávamos em condição de ter um bebe naquele momento, sem emprego, sem serviço, a casa minúscula, mas Deus sabe o que faz.

Voltei a deitar e esperei meu marido acordar e dei a boa notícia, ele ficou parado, quieto, em choque, como eu, os olhos cheios d’agua. Eu disse a ele, que contudo, queria ir ao médico para ter certeza, achava que poderia estar enganada. Pois bem, como a situação financeira não permitia, tive que marcar médico no posto, o que levou tempo para conseguir consultar. Resolvemos que não contaríamos a ninguém o que estava acontecendo, nem mesmo a minha mãe, afinal, poderia não ser uma gravidez e deixar todos na expectativa.

Quando consegui ir ao médico, peguei o pedido para o exame de sangue e ultrassom. Fiz o exame e o resultado: POSITIVO! Meu marido ainda disse: "Contamos agora para todos?". Eu achei melhor esperar, o ultrassom estava marcado para a terça-feira seguinte e quem esperou tanto tempo, esperava mais uns dias. No dia marcado, cheguei na clínica e ao entrar na sala do exame, a médica perguntou o porquê do exame, e disse a ela, que era para saber se eu estava grávida ou não. Tudo preparado, marido ao lado, luzes apagadas, a médica começou o ultrassom e a auxiliar ligou o monitor e de cara já apareceu as duas bolsas com os dois embriões. A médica ria e me disse: "Você queria confirmar se estava grávida? Você está grávida, está muito grávida, está esperando gêmeos, parabéns." Eu tremia dos pés a cabeça, meu marido apertava a minha mão. Saímos da sala um segurando o outro. Era felicidade demais, mas preocupação demais também, afinal, se eu achava que nossa casa era pequena para um bebê, imagina para dois. Fomos direto para casa da minha mãe, reunimos todos e contamos a novidade, foi aquela felicidade, primeiras netas de ambos os lados, primeiras sobrinhas, primeiras tudo.


Passado o susto, começamos a correr atrás do prejuízo. Fiz meu pré natal pelo SUS com os melhores médicos, consideravam a gravidez de alto risco por ser gemelar, mesmo eu não tendo nenhum problema.

Com 6 meses de gestação mudamos de cidade, uma distância de 160km. No começo fiquei preocupada com o acompanhamento do médico, mudar assim de médico é complicado, mas graças a Deus, mais uma vez, tive o melhor médico da cidade a minha disposição e pelo SUS. Ele me deixou bastante tranquila, e também confiante, garantiu que eu chegaria, com toda a certeza, nas 38 semanas de gestação.


Dito e feito, com 38 semanas e 5 dias minhas princesas nasceram. Me lembro como se fosse hoje, a última semana da gravidez, como foi difícil. Meu médico pedia para ficar mais quietinha em casa, mas eu não aguentava ficar muito tempo parada. Em 1 mês sem poder sair de casa eu fiz todo o tipo de artesanato para passar o tempo, pintura, bordado. Fiz um quadro com o nome delas para a porta da maternidade, bordei as lembrancinhas de nascimento e o tempo não passava. 

Em uma segunda-feira, fui ao médico e disse que já tinha ido no hospital porque tinha tido bastante contração. Ele me examinou e disse que estava tudo intacto, colo fechado. Mas que pelo tempo da gravidez, ele faria uma manobra para estimular a abertura do colo. Lá fui eu feliz e contente, deitei, e ele fez a tal manobra, quase tive um treco de tanta dor, mal conseguia andar. Ele me elogiou para meu marido, disse que se eu aguentei aquilo, aguentaria o parto normal fácil, que era o que eu queria. 


No dia seguinte, voltei ao hospital para um exame, pois não sentia elas mexerem e estava tudo bem, mas nada de nascerem. Na quinta-feira, o tampão desceu e fiquei super empolgada, com contrações fortes, e mais uma vez, nada de as minhas piticas virem ao mundo. Eu já estava cansada de estar grávida, chamei minha mãe e disse que iria andar o dia todo. E foi o que eu fiz, na sexta-feira, dia 13 de novembro (para muitos, sexta-feira 13 é dia de azar, mas para nós é de muita sorte) andei o centro da cidade o dia todo, fui para o shopping, tudo a pé, das 13 horas até as 18 horas, muita dor na barriga, contração forte e papai desesperado. Fomos para casa, pegamos a mala e fomos direto para o hospital. Lá o médico me examinou e disse que eu estava com 2cm de dilatação, os mesmo 2cm que abriu na manobra, ou seja, não iriam nascer de parto normal de jeito nenhum. Fui direto para o centro cirúrgico, às 20hrs, e pouquíssimos minutos depois, elas nasceram: Luiza com 2.850kg e 48cm e a Ligia com 2.665kg e 47cm.


Não sou uma pessoa religiosa, mas sempre tive muita fé em Deus. Minha gravidez foi muito tranquila, apesar de todos os problemas financeiros que passamos. Nossas Princesas nasceram saudáveis, tiveram alta dois dias depois de nascerem e nunca tiveram nenhum problema de saúde, nada que qualquer outro bebê não tenha também. Hoje são super sapecas, espertas, cheias de argumentos, caras e bocas. Brincam, correm, pulam e, principalmente, se dão super bem, quase não brigam. Elas são o que eu tenho de mais especial, de melhor na minha vida. Olhando para trás, as dificuldades parecem até pequenas, diante de tanta alegria, de tanto amor que temos hoje. Minha vida não tinha a menor graça antes delas. 


Hoje, mesmo com toda a correria e todo o cansaço que é a vida de mulher, dona de casa e mãe, não troco por nada nesse mundo. Hoje sim, sou completamente FELIZ!

Juliana, seja sempre bem-vinda ao Gemelares.com.br!
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