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Família Gemelares da Semana - Silvia Mota

s 08:04

Sempre sou soube o Parto Humanizado, mas ainda não tinha tido a oportunidade de saber por uma mãe. Leiam com atenção esse relato, super importante para quem quer um Parto Humanizado, ao começar a ler vai vivenciar junto com a Silvia, pois ela descreve de uma forma maravilhosa que todos vão entender e saber como é um Parto Humanizado. Seja sempre bem vinda Silvia!

É com você Silvia:


Desde que o namoro ficou sério (2008) comecei a pesquisar sobre parto normal na internet. Ainda não queríamos ter filhos, mas não me conformava com a idéia de ter que fazer uma cirurgia no final de todo o processo se o meu corpo funcionava perfeitamente. E comecei a pesquisar sobre o tema. Não sou contra a cesariana, quando bem indicada. Entretanto, os números dessa intervenção no Brasil são absurdos. Não se justificam.

Não fazia idéia de quantos mitos envolviam o evento “parto”. Pra formar uma opinião a respeito é preciso quase fazer um curso de obstetrícia! Li muitos sites, artigos, livros. Participei de fóruns e listas de e-mail sobre o assunto. Fui descobrindo o caminho aos poucos. Descobri que existia um movimento pelo parto natural, que existia a doula. Que é possível parir com respeito e segurança em qualquer lugar (casa, hospital, casa de parto, na banheira, no chuveiro...). Descobri as milhares de desculpas e histórias (ou seriam estórias...) macabras que contam pra convencer mães e pais de que uma cirurgia é melhor que um processo fisiológico, mesmo quando tudo vai bem durante a gestação. Entendi que não existe um culpado. Todos temos parte nesse contexto cultural que prega que o parto como foi concebido pela natureza é perigoso. Também entendi que cada um tem seus limites, o que é bom pra mim não é necessariamente bom para o outro. Não podemos tratar a humanização do parto como uma linha de montagem de bebês, cartesiana, com tempos e movimentos programados assim como é feito com a cesariana hoje. Cada mulher é única, cada bebê é único, cada gestação é única, cada família é única e cada parto deve ser tratado como tal.

Em 2011, engravidei. Já tinha opinião formada sobre alguns pontos. Primeiro, a equipe tinha que ser “A Equipe Humanizada” dos muitos relatos de parto que li. Não ia ficar lutando contra o mundo dos planos de saúde. Segundo, frequentaria algum grupo de apoio ao parto humanizado e participaria de todos os cursos e atividades possíveis de preparação pra chegada do bebê. Terceiro, meu parto seria em casa. Mas como a gente não pode controlar o tudo, tive que ajustar alguns conceitos. Não abriria mão de uma equipe humanizada, mas a minha equipe deveria ser a que eu mais tivesse afinidade e não necessariamente a que eu lia na maioria dos relatos de parto. Tinha que caber também no meu bolso. Porque sabia que não teria paz se tivesse que arrancar “o couro” da família e ainda ficar devendo o mundo e o fundo. Em vez de compartilhar os detalhes da minha gravidez nas listas da internet e grupos de apoio, acabei me recolhendo. Precisava de privacidade e tempo pra assimilar cada novidade. E me cansava ter que ficar explicando e justificando cada decisão que eu tomava. Também precisava de tempo para resolver as questões práticas da vida (enxoval, quarto, nomes, a organização da casa...), até porque voltei a trabalhar em tempo integral e tivemos que entregar o apartamento alugado na reta final da gravidez, movimento que não estava previsto pra acontecer tão cedo.

Minha gravidez foi muito desejada e assim que confirmamos com o Beta, foi alegria total na família – o exame de farmácia que fiz antes mostrou o segundo risquinho tão fraco que fiquei decepcionada, rs. Na primeira ultra a primeira surpresa, são gêmeos! E o coração bateu mais acelerado. Felicidade em dobro na família. Mas também tivemos que repensar toda a logística, gastos e preparativos pra chegada de dois herdeiros ao mesmo tempo. Lidar com os sentimentos que variavam bastante.

Fui em uma consulta com um GO humanizado, mas não me identifiquei. Então marquei a consulta seguinte com a Dra. Fernanda Macêdo e a afinidade foi imediata. Cheguei a conversar com duas parteiras pra saber da possibilidade de um parto domiciliar. Entretanto, descartei essa alternativa, pois os 2 bebês teriam que estar cefálicos, caso contrário o parto teria que ser no hospital mesmo.

A gravidez foi maravilhosa. tive azia por 4 semanas entre o segundo e o terceiro mês, depois disso, a única alteração significativa foi no humor, eu ia da alegria, à ira em segundos. Tudo me irritava. Consegui manter uma boa alimentação, sempre fui louca por doces, mas simplesmente não tive vontade de comer porcarias durante a maior parte da gestação. Isso só mudou no último trimestre e mesmo assim era bem controlada. Caminhei e fiz yoga para gestantes durante os 9 meses, o que me deu bastante disposição. Engordei 18kg no total e trabalhei até 3 dias antes deles nascerem. Também fui acompanhada pela Enf. Kira na reta final para o parto.

Depois de 12 semanas a Dra Fernanda suspendeu o ácido fólico e o polivitamínico e não precisei de nenhum outro complemento durante a gestação toda. Não tive anemia, não precisei de repouso e não surgiu nenhuma intercorrência. Meus exames eram ótimos. Nas últimas semanas a azia voltou e usei um antiácido eventualmente.

As ultrassonografias mostravam que os dois estavam bem formados, mas que havia uma diferença boa de peso entre eles. Isso não foi motivo pra nenhum exame desnecessário ou pra fazer uma cesariana. E eu estava bem tranquila porque sabia que eles eram perfeitos e o meu corpo também. Sendo assim, tudo terminaria bem.

Em 04/01/12, véspera de completar 36 semanas fui em uma consulta pré-natal, peso, pressão, fundo do útero e batimentos cardíacos dos meninos ok. Então, o primeiro toque: 1cm de dilatação e colo fino. A Dra. Fernanda disse que eu não chegaria à USG que estava agendada pra semana seguinte. Fiquei feliz com a proximidade do parto, embora quisesse que eles ficassem mais umas 2 semanas na barriga. Eu ficava imaginando como o meu TP começaria.

Não consegui dormir direito de 4 para 05/01/12 e em uma das muitas idas ao banheiro a bolsa do Gabriel rompeu. Quando escutei o “ploc” da bolsa, comecei a rir de satisfação, dei um pulo da cama e logo saiu uma cachoeira entre as pernas. Líquido claro. Avisei meu marido quando voltei do banheiro, mas disse que voltasse a dormir, porque eu ainda não sentia nada. Era 04h30 da manhã. Avisei minha mãe por telefone, pois sabia que ficaria em oração por nós. Enviei um torpedo pra médica e falei com a Kira (que viria acompanhar o TP em casa até a hora de ir pra maternidade). Coloquei um absorvente e voltei pra cama.

Apesar das contrações estarem espaçadas - não sei se já eram regulares, não me preocupei com isso no começo – não conseguia mais deitar. Então, sentei na cama e cochilei o que pude. Pouco tempo depois comecei a pular da cama e caminhar pelo quarto durante as contrações. Às 07h00 liguei pra Kira de novo, ela pediu pra avisar quando tivesse 3 contrações em 10 minutos. Acordei meu marido e pedi pra ele marcar. Em 20 minutos foram 13 contrações e duravam uns 50 segundos cada! Ou seja, era o dobro de contrações em 10 minutos. Já estava na fase ativa. Ligamos pra Kira de novo e ela veio correndo.

Era 08h40 quando a Kira chegou em casa, tinha acabado de sair do chuveiro quente. Fez um exame de toque, estava com 6 cm e colo fino. Meu marido arrumou o carro e fomos pra maternidade. Fui alternando entre agachada e ajoelhada no banco de trás. Foi bem desconfortável. Ainda pegamos trânsito intenso e um semáforo que demorava séculos pra abrir e fechava em 2 segundos. Levamos mais de 1h pra chegar.

A Dra. Fernanda já nos esperava na recepção e subi para a sala de parto normal. Fui na cadeira de rodas e assim que cheguei no andar dei um pulo da cadeira quando começou outra contração. Me colocaram a camisola “sexy” que deixa a bunda de fora, touca e sapato. Pedi água. Tive muita sede durante todo o Trabalho de Parto. Me enrolaram. Tive que insistir, pois não acreditavam que ia ser parto normal de gêmeos, sem intervenções e a água estava liberada.

Assim que cheguei na sala de parto arranquei os sapatos que saíam dos pés toda vez que eu me agachava. A sala estava com as luzes apagadas. Tinha banheira e chuveiro quente, mas não fiz questão de nada. Só pensava em parir meus filhos. Meu marido chegou na sala e ficou sentado acompanhando a minha movimentação. Fiquei a maior parte do tempo de olhos fechados e mesmo quando eles estavam abertos não me preocupava com o que acontecia ao redor, já estava na partolândia.

Por três vezes senti o Gabriel girando dentro de mim e descendo. É uma sensação maravilhosa, não dói e eu sabia que era ele trabalhando junto comigo para nos conhecermos. Tudo de bom!Cheguei à dilatação total logo, mas não sei a hora. Por volta do meio-dia as contrações espaçaram então deitei na cama e tentei descansar. Até cochilei entre elas. Minhas pernas doíam de tanto ficar ajoelhada e tinha muito sono. A equipe aproveitou para almoçar.

Antes que voltassem do almoço as contrações retomaram o ritmo frenético e pulei da cama. Caminhava de um lado para o outro e ajoelhava. A equipe voltou. Veio a vontade de fazer cocô. Me puseram sentada na cama. Eu segurava na barra e fazia força quando vinha a contração. O Gabriel desceu mais um pouco, mas não estava sendo muito eficiente. Então a Kira me pôs de cócoras. Era o que eu precisava, mais três contrações e o Gabriel coroou. E na seguinte ele saiu todo às 13h47. Ele veio direto para o meu colo com o cordão ainda pulsando. Chorava um chorinho gostoso e baixinho. “Chupeitou” e dormiu. Dez minutos depois comecei a sentir as contrações novamente. Era o Pedro chegando. Como meu marido não quis cortar o cordão, cortei eu! O Gabriel foi para a pediatra que apenas limpou o excesso de vérnix e deu para o papai segurá-lo. A Dra Fernanda escutou os batimentos do Pedro que estavam perfeitos e aproveitou uma contração pra fazer o último toque. Ela constatou que o Pedro que estava pélvico a gravidez inteira deu uma cambalhota e ficou cefálico. Foi alegria total na sala, pois isso facilitaria bastante a sua chegada. Pulei da cama e caminhei pelo quarto pra ajuda-lo a descer. Agachava quando vinha a contração. Numa delas, um pedaço da bolsa que ainda estava íntegra ficou visível e na contração seguinte o Pedrinho foi literalmente cuspido de dentro de mim. Nasceu empelicado às 14h12, 25 minutos depois do irmão. A Fernanda rompeu a bolsa e eu fiquei estática olhando pra ele. Pensava “e agora, o que eu faço?”...rrsss... Ela falou “Silvia, é seu filho, pega, põe no colo!” Aí que eu acordei do transe e agarrei meu filhote ainda toda desengonçada. Me ajudaram a subir na cama novamente. O Pedro abriu a boquinha e abocanhou o peito certinho! Mamou um pouco e depois chorou tão lindo quanto o Gabriel. O cordão dele parou de pulsar logo e cortei, dessa vez com a mão esquerda, já que mãe de gêmeos tem que ser ambidestra mesmo!... rss... Foram os dois para o berçário com o papai fazer a admissão. Os dois nasceram perfeitos com Apgar 9/10, a glicose estava ótima e a respiração um espetáculo. Gabriel com 2,480kg e 44cm, Pedro com 1,775kg e 40,5cm. A placenta única saiu espontaneamente um pouco depois que os meninos saíram da sala de parto. Mas veio com um coagulo de sangue enorme. Meu hematócrito que era 38 antes do parto caiu para 18! Puseram soro com ocitocina na veia para ajudar a contrair o útero e levei uns pontinhos na laceração superficial. O parto foi perfeito, eu estava em êxtase. E só então lembrei que tinha apenas um copo de leite e uma banana na barriga que comi às 6 da manhã. Estava azul de fome, mas sonegaram meu almoço! Infelizmente, por regras da maternidade, meus bebês foram levados para UTI e aí começou meu tormento e estas cenas ficam para um próximo relato.

Curiosidades e impressões:

Durante o trabalho de parto em casa, minha cachorra me acompanhava quando eu estava de um lado para o outro durante as contrações e pulava em mim tentando me acalentar quando eu agachava! O Gabriel ficou cefálico e o Pedro pélvico durante toda a gestação. Conversei com eles várias vezes dizendo que teríamos que fazer um trabalho em equipe pra tudo sair perfeito. A mamãe ajudava com as contrações e a força quando fosse necessário. O Gabriel abriria o caminho (ele também esteve mais baixo o tempo todo) e o Pedro daria uma cambalhota assim que abrisse espaço na barriga pra sair cefálico também. Não é que deu certo o nosso trato!!! Apesar do meu hematócrito ter caído horrores depois da saída da placenta, não senti nenhum sintoma característico deste fato como taquicardia, tontura, fraqueza... Em momento nenhum me senti debilitada para cuidar dos meus rebentos e cada dia que passava eu acordava mais cheia de pique. Não precisei nem de transfusão sanguínea que seria o indicado numa situação dessas.

A Kira e uma das pediatras comentaram comigo depois que eu sorria entre as contrações na hora do expulsivo! Eu não lembro disso, pois estava concentrada. Mas sei que me senti eufórica desde que a bolsa estourou. Não tive nenhuma intervenção durante o Trabalho de Parto e o parto e sobre a dor das contrações posso dizer que foram bem incômodas, parecida com cólica de dor de barriga, mas não foram insuportáveis em momento algum. A hora que as contrações espaçaram e eu descansei um pouco na cama lembro de ter pensado “é por isso que as pessoas preferem cesariana”, o trabalho de parto realmente cansa! E no expulsivo quando vinha uma contração atrás da outra pensei “é por isso que pedem anestesia”, é mais fácil não ter que lidar com esse incômodo e o círculo de fogo dói! Mas é só o bebê passar que a dor passa também como se nada tivesse acontecido. E não senti vontade de cesária ou anestesia, mesmo depois desses pensamentos.

Eu estava de cócoras quando os dois nasceram. Com o Gabriel eu estava de cócoras em cima da cama e com o Pedro eu estava de cócoras no chão. Odiei a camisola do hospital, não porque deixa a bunda de fora, mas porque parece uma camisa de força. Bom mesmo é parir pelada. E assim o fiz.

Agradecimentos:

Agradeço primeiro a Deus pelo presente precioso que são os meus filhos e pelo dom de gerar e parir duas vidas ao mesmo tempo com muita saúde. Aos meus filhos por virem alegrar minha vida e colaborarem com a mamãe desde a barriga. Ao meu marido que me apoiou desde o começo na minha busca e fala com orgulho pra quem quiser ouvir como um parto natural é o melhor dos mundos. À minha mãe pelo apoio emocional, sempre me acalmando quando eu precisava e pelo engajamento na minha busca pelo parto humanizado. Aos meus sogros pelo carinho, cuidado e pelo acolhimento nessa família tão especial. À Dra. Fernanda Macêdo e à Enf. Kira que formam uma dupla e tanto e ajudaram a trazer meus filhos ao mundo de forma respeitosa e sublime. Às Pediatras Claudia Bertolasi e Luciana Nascimento pelo carinho e cuidado com que receberam meus filhos. À Nina, minha fox paulistinha, tão solidária durante a gravidez e até durante as contrações. E a todos os amigos que torceram pelo sucesso desta empreitada!






Um grande abraço,
Silvia Motta – mãe dos gêmeos Pedro e Gabriel, nascidos de parto natural hospitalar em 05/01/2012.


Silvia, obrigada pelo relato e pela confiança!!! 


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Comentrios
2 Comentrios

2 COMENTÁRIOS:

  1. Gente amei esta matéria , eu fiquei em trabalho de parto 2 semanas pq tbm queria normal , mais in felizmente não tive dilatação para isso e Lorena e Luis Alberto chegaram ao mundo com uma cesáriana .. Silvia parabéns vc nasceu para ser mãe de multiplos que Deus abençoe sempre sua familia !!

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  2. Oi Silvia! Também espero Gêmeos. Estou com 8 semanas. Moro emSão José dos Campos. A sua médica é daqui? Você pode me passar o contato dela. Pois também estou atrás de um parto humanizado.

    parabéns pelo seu depoimento, só me dá mais certeza e segurança na minha decisão.

    Obrigada!

    Hélen

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